Em seu caminho espiritual, Baixinha, por necessidade, teve a cabeça raspada no Candomblé para o Orixá Oxum, tendo como segundo Obaluaê.

Após o golpe militar de 1968, com a edição do AI/5, o Brasil entrou em um período negro de sua história, com violência do Estado, perseguição a todos que não seguiam a ideologia dominante e uma intolerância política e social a todos aqueles que buscavam um caminho próprio. Os jovens, perseguidos e perdidos num sistema cada vez mais fechado, materialista, individualista e competitivo passam a procurar outras formas de viver. Um desses caminhos foi o viver comunitariamente, valorizando a generosidade, a auto gestão e a espiritualidade.

Nesta ocasião, eu e minha primeira mulher, Márcia - que era amiga da Fátima -, resolvemos morar em comunidade, com nossos filhos. Baixinha, que continuava cuidando da Ana Paula, juntou-se a nós e assim fomos morar em uma grande casa na Tijuca.

Lá, ela e Marcelo Bernardes, seu companheiro de vida e pai de seu filho Nilo Maia, iniciaram seu relacionamento.
No período em que a conheci, Baixinha estava afastada da Tenda Espírita Mirim e não tinha uma prática espiritual regular. Junto com outros companheiros e companheiras, a acompanhamos em seu retorno à prática umbandista.

De início, foram sessões de desenvolvimento e ensino com o Caboclo Tupinambá, em nossa casa. Ficamos nos reunindo por mais de um ano e, então, Seu Tupinambá nos disse que queria uma casa com o chão de terra e o teto de estrelas. Entendemos que ele queria ir para a mata e após alguns meses de busca, foi encontrado um lugar na mata, próximo ao Jardim Botânico, no Horto.